Esse tema tão espinhoso surgiu do tema de uma redação proposta pelo professor de Língua Portuguesa da minha esposa, Vanessa, a quem auxiliei na tarefa, durante a semana: Como chegar à tolerância das diferenças raciais?
A questão costuma suscitar grandes polêmicas, quer pelo próprio conceito de "raça", por suas implicações históricas, por sua abordagem prática (como agir) entre outras coisas. Então, matutando um pouco no silêncio do meu quarto, meditando sobre isso, fui levado pelos pensamentos a lembrar da criação do homem pelas mãos de Deus: está escrito em Gn 1: 26,27 e 28 que Ele criou o homem a sua imagem e semelhança, e também a mulher, e os abençou e pediu para que eles frutificassem e se multipliqcassem (gerassem filhos), a fim de que povoassem a terra. De posse dessa verdade, inconteste para os que creêm na Palavra Revelada de Deus, pude concluir que não existem raças, mas sim uma raça, que é a humana, haja visto que todos nós descendemos de um mesma mesma raiz genética (monogenismo), segundo as Escrituras ( procurem a definição da palavra "raça" num dicionário). Partindo desse pressuposto, digamos assim, penso que a tolerância às diferenças - leia-se tom de pele, caractérísticas físicas - só será efetiva se, e quando, todos, por um processo continuado de conscientização vivencial, educacional, emocional e espiritual, enxergarem a si mesmos como homens iguais em quaisquer âmbitos da vida, concluindo assim que a significância do "ser" humano transcende biotipos ou esteriótipos.
Desde que o homem, após Babel, passou a se organizar em várias coletividades, a unidade, a identidade sócio-cultural comum baseou-se primordialmente em características étnicas manifestas em semelhanças somáticas (estéticas), lingüisticas e religiosas. Então, daí depreende-se que todo o juízo de valor que os indivíduos inseridos em determinadas sociedades faziam entre si e outros povos baseava-se no que lhes saltava aos olhos: o parecer; o distinguível; a forma externa de ser e viver. A conclusão a que esses indivíduos chegavam era de um profundo sentimento de prevalescência. O diferente, aquilo ou aquele estranho ao que era comum, conhecido, era sempre inferior. Desse julgamento imediatista, preconceituoso é que surgiu a ideologia da supremacia racial: "uma raça, ou povo, é melhor, mais nobre e desenvolvida que outra".
A história, enquanto processo de evolução ( ao menos na teoria ) linear do homem social, trouxe então a miscigenação étnica para a esteira das relações pessoais e coletivas, causando revoluções conceituais e políticas; quebrando paradigmas culturais e filosóficos; provando, inclusive cientificamente - via estudo da genética -, que as diferenças exteriores são desprezíveis quando confrontadas com tudo o que a essência humana abarca: possuimos entendimento, emoção e vontade; tudo isso doado pelo Pai. Logo, o que nos irmana, criações de Deus que somos, é incomparavelmente superior (relevante) do que aquilo que nos afasta, segrega. Quando todos formos inteiramente cônscios disto, estaremos livres dessa pústula falaciosa chamada racismo. Que o Espírito Santo de Deus nos ajude nisto.
Neemias Marcelo

